Ao nascer,
Eu me precipitei!
Quem me dera, fosse eu um decadente Ícaro,
Que voando até às alturas,
Contempla o Fantástico
Tirado da cartola do Ego Mágico.
Mas, não! Sem asas, nas Alturas Nasci.
Nas Alturas eu me perdi.
Nada havendo além do Ápice,
Das Alturas me precipitei!
Sim, caí!
Caí sobre o chão frio da Realidade,
Definida pela convenção dos homens,
Que vivem sob a sombra da sobriedade.
Projetada pela ingênua e frágil Racionalidade.
E mesmo assim, com fineza,
Quer definir e determinar todas as coisas
Dentro da absurda norma da Normalidade,
Que inutilmente quer domar
A fera e indomável Felicidade.
A vida é esta tragédia,
Onde meu sangue é o Tempo, é a minha própria Vida,
Que escorre, se esvaí ,
Pelas veias abertas,
Que jorram sob o Sol e
Sobre o Solo onde jaz caída minha vã e inútil Liberdade,
Que busca como Sísifo a fugaz Felicidade,
Mas que sempre vai de encontro da Senhora Necessidade!
Que é a vida,
Além da passagem do Nada ao Nada?
Este breve e efêmero suspiro,
Pausa da minha Particular Inexistência,
Efetivação daquilo que eternamente
Existe como uma das infindas Possibilidades?
Que é a Vida,
A não ser esta queda do Possível ao Real,
A Morte do Latente,
Cujas veias secam a cada instante,
Neste renovado e agonizado Real Presente?
Que é a Vida,
A não ser este breve intervalo,
Em que dura minha queda
Do Nada das Alturas
Ao Nada das Baixuras?
Que é a minha vida,
A não ser este ignóbil e coadjuvante herói Radical,
Que contracena na titânica e eterna Luta
Dos Monstros Pré e Pós da histórica vida existencial?
Ao nascer, caí.
Sim, caí do Nada para o Nada.
E esta é a vida, uma Queda,
Queda que é Nossa Queda,
Inevitável, rápida ou lenta, Queda.
Então, caído, acordo deste Sonho...
E o Nada se lembra do Nada e se casa com o Nada...
E vivem felizes para sempre!
Johannes de Silentio.

7 comentários:
meu amigo,
escrevendo poemas... gosto de te ver! =)
gosto de refletir com vc.
acho q o q nos salva do tombo [não só, mas] são, meramente, as asas da nossa imaginação! ;)
beijo
Oi Rafa!
Que bela surpresa, ter seu comentário aqui...
Fazia muito tempo que eu não escrevia... mas, consegui fugir um pouco da rotina intelectualmente estagnante, rss!
Obrigado pelas palavras. :) Também gosto de refletir contigo... gostei do "asas da imaginação"... tem tudo a ver... :)
Um beijo!
eheheh vc tá todo poético, quem diria heim! :)Gostei do poema!
Saudades, estive sem net por mto tempo e longe de tdo, me mudei...enfim, espero q vc esteja bem!Faça contato viu,é uma ordem...rs bjos!
Nil
Existencialismo, essencialmente isso... muito bom seu poema,
Abraços
Que belo texto, super reflexivo. Vc sempre me leva a pensar melhor sobre a existência, adoro isso nos seus textos. rs!
Parabéns!
Bjusssssssss!!!
Olá, há tempos que venho aprofundando a dicotomia essência/existência e quando acho que chego a uma conclusão novas dúvidas me assaltam. Isso é ótimo, porque a cada tese sobre o tema esbarro em uma antítese, que, claro, resulta numa síntese, que nada mais é do que uma nova tese. Enfim ... Para que alguém exista é indispensável que ela seja. Ninguém existe sem ser. Então se não há dúvidas que a existência "constrói" a essência, por outro lado, também é induvidoso que alguém para existir tem que, antes, SER. É aparentemente óbvio que sem essência, mesmo que "limpa de qualquer conteúdo", não se pode existir, pq só existe aquilo que É. Abraço!
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